Ao participar atentamente da
Audiência Pública planejada e promovida pela Câmara Municipal em nosso
município, pude constatar o que já sabia, meu amigo Antonio Bilu pediu a palavra
e o mesmo falava mais ou menos assim: “... de nada adiantava mudar a realidade
da insegurança se os pais não tivessem domínio sobre seus filhos...”. Aquele “tapa
na cara” das famílias, só mostra quão deficitária é a conduação que os pais dão
aos seus filhos atualmente. Por outro lado, é importante considerar que os pais
também apresentam os mais variados comportamentos: excessivamente agressivos
com os filhos, excessivamente condescendentes com eles, alguns presentes e
outros totalmente ausentes em suas vidas e atividades. Guardiões da moral e dos
valores, muitas vezes equivocados, em nada auxiliam na formação dos jovens e
adolescentes.
A permissividade é tão danosa
quanto à indiferença – fatores que levam à falta de autoridade dos pais e
consequentes atitudes de violência até contra eles mesmos – a origem destes
comportamentos vem da educação, a primeira instância dos lares.
O enfraquecimento da autoridade
familiar resulta nas distorções do papel da escola e do próprio enfraquecimento
da autoridade escolar. A ausência de regras e de responsabilidades
impossibilita o exercício do comando e, sem ele, torna-se impossível educar
para a vida e para a sociedade.
Escolhi como profissão a arte de
educar; Sou professor. Já vivenciei várias realidades: alunos da zona rural e
urbana, alunos do centro e da periferia, crianças, jovens e adultos e tenho convicção
que o que diferencia uns dos outros é a base familiar. Outro aspecto importante e equivocado é a tendência em delegar
às camadas sociais menos favorecidas a culpa pela violência. Pesquisas
comprovam a existência em todos os níveis sociais, seja em famílias pobres ou
ricas, em ambientes favoráveis ou não, em instituições organizadas e em escolas
boas ou ruins. A grande maioria dos nossos
alunos é de Escolas Públicas, o que significa que uma grande parte dos futuros cidadãos terá
sido formado por elas, isto equivale a dizer que o futuro dos filhos de todos
depende em parte, de como a escola pública exerce o seu papel, nesse momento entra
a participação ativa da família na qualidade das ações desenvolvidas nessas
escolas. Pais, professores, autoridades civis devem ter consciência de seus
cargos, e precisam ser potentes no exercício de suas funções educativas, pois
educar é incompatível com a sensação de não ter o que fazer, de não saber que
atitude tomar.
A juventude é imatura, imperfeita
e inacabada, não se pode querer e esperar dela a perfeição, pois ela não tem
consciência de si mesma. Só quem já não é jovem pode perceber a juventude e
seus momentos, e daí, a responsabilidade de todos aqueles que têm a tarefa de
educar, mostrando novos rumos e possibilidades aos que estão em processo de
formação. Preservá-los e protegê-los da vida incondicionalmente, não é um ato
educativo, assim, ensiná-los a respeitar os espaços, os direitos dos outros, os
seus limites e responsabilidades é fundamental para uma educação sadia.
A violência é consequência da
falta de uma educação afetiva em algum momento na infância, ausência de
representantes adequados da lei, da moral. A família é muito importante no
sentido de dar limites à criança sobre o que é dela ou do outro. É preciso
educar porque a agressividade é natural, mas para não ser transformada em
violência, a criança precisa ser educada com afeto e com limites.
Será utópico pensar em mudar a realidade
com políticas públicas sem a participação da família.

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